Sem mesmo existir, vacina contra o novo corona vírus já causa disputas entre países

Antes mesmo de existir, a vacina para a Covid-19 tem gerado desentendimentos entre países e empresas e também grupos contrários à obrigatoriedade de vacinas no mundo.

Há estudos para o desenvolvimento de vacinas nos Estados Unidos e na China, e esses dois países têm se acusado de um tentar espionar a pesquisas.

A França e a União Europeia protestaram contra uma farmacêutica que afirmou que daria prioridade aos EUA na eventual distribuição de vacinas.

Na Alemanha, já há grupos antivacina que protestam contra uma hipotética obrigatoriedade de uma vacina que não existe.

Veja abaixo os principais conflitos.

Europa versus Sanofi

O grupo farmacêutico Sanofi anunciou que daria prioridade aos Estados Unidos. O diretor-geral da companhia farmacêutica francesa, Paul Hudson, declarou na quarta-feira (13) que, se encontrassem a vacina, a entregariam “primeiro” aos Estados Unidos, já que esse país “compartilha o risco” na busca de tratamento no âmbito de uma colaboração.

Nesta quinta, o diretor da Sanofi na França, Olivier Bogillot, disse que o grupo não dará prioridade aos Estados Unidos na distribuição da vacina, se a União Europeia (UE) for igualmente “eficaz” para financiar seu desenvolvimento.

“Para nós, seria inaceitável um acesso privilegiado a este, ou àquele país sob o pretexto monetário”, considerou a secretária francesa de Estado para a Economia, Agnès Pannier-Runacher.

A Comissão Europeia reiterou o compromisso do bloco com uma vacina, lembrando que, no início deste mês, organizou uma conferência de doadores que levantou cerca de US$ 8 bilhões, mas da qual o governo dos Estados Unidos se recusou a participar.

“Para nós, em uma palavra, é muito importante trabalharmos nisso globalmente, já que o vírus é um vírus global”, acrescentou De Keersmaecker.

Estados Unidos versus China

A China acusou os Estados Unidos de calúnia, nesta quinta-feira (14), depois que Washington acusou Pequim de espionar suas pesquisas sobre uma vacina secreta contra a Covid-19.

A Polícia Federal dos Estados Unidos (FBI) acusou na quarta-feira (13) hackers, pesquisadores e estudantes próximos ao governo chinês de roubar informações de institutos universitários e laboratórios públicos em benefício de Pequim.

“As tentativas da China de atacar esses setores representam uma grave ameaça para a resposta de nosso país à Covid-19”, afirmou o FBI em um comunicado oficial junto à Agência Nacional de Segurança Cibernética.

Nesta quinta-feira, o porta-voz do ministério das Relações Exteriores da China, Zhao Lijan, respondeu que “a China expressa seu desgosto e sua firme oposição a tais calúnias”.

“A julgar pelo seu histórico, os Estados Unidos realizaram as maiores operações de roubo da internet numa escala mundial”, acrescentou Zhao em coletiva de imprensa.

Desde o início da epidemia de Covid-19, várias empresas farmacêuticas chinesas passaram a desenvolver uma vacina. Pelo menos três delas já iniciaram testes clínicos em humanos.

“A China está na vanguarda da investigação sobre vacinas e tratamentos para a Covid-19. Portanto, possui mais motivos do que qualquer um para suspeitar do roubo de informações na internet”, enfatizou Zhao.

Há semanas, o presidente americano Donald Trump acusa as autoridades chinesas de terem ocultado a amplitude da epidemia, surgida no final de 2019 na cidade de Wuhan (centro da China) e, por isso, facilitado sua propagação.

Pequim nega a acusação e afirma que transmitiu o mais rápido possível todas as informações à Organização Mundial da Saúde (OMS) e a outros países, entre eles os Estados Unidos.

Alemanha versus movimento antivancina

A Alemanha vive há semanas protestos contra as medidas restritivas de combate à epidemia. Entre os manifestantes, está o movimento antivacinação, que já se antecipa a uma eventual campanha nacional de imunização.

De acordo com a Deutsche Welle, há um movimento de resistência civil com o lema: “Pelos nossos direitos básicos, contra as máscaras e vacinas obrigatórias, contra a encenação coronavírus e a Fundação Gates”.

Nas últimas semanas, porém, houve vários ataques contra jornalistas em protestos do tipo na Alemanha, além do fato de a regra de distanciamento social ter sido ignorada ou de as manifestações terem acontecido sem aval das autoridades.

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